El 7, el número de la buena suerte: 7 vidas, 7 reales

Recientemente Aflatoun y su organización asociada Child Fund  Brasil han visitado una región en el país. En esta zona de Brasil el trabajo infantil sigue siendo una realidad y el programa Aflatoun se está aplicando. Aquí se utiliza Aflatoun para tratar de prevenir y eliminar el trabajo infantil junto con otras metodologías. Con el fin de ver si hay un impacto, Aflatoun y la organización asociada están llevando a cabo una encuesta de referencia. Durante las visitas a nuestro socio, Edson Marinho ha recogido algunas ideas y refleja sus pensamientos en el texto siguiente:

Una señora madre de 7 hijos, es parte del proyecto de prevención del trabajo infantil. Esta mujer es viuda, tiene discapacidad en uno de los brazos, y debe  mantener a sus hijos sólo con la asignación familiar.

Cuando se le preguntó sobre el día a día de su hijo de 9 años, que participa en el proyecto, explicó que su hijo va a la escuela,  a las reuniones del programa, y en su tiempo libre “ayuda” en el jardín que la familia tiene en el patio de  casa.

Su casa, sin la ayuda de sus hijos sería imposible de llevar. En el jardín han creado un huerto donde la mayoría de lo que se cultiva es consumido por la familia, pero una parte se intercambia con los vecinos por otros productos o pequeñas cantidades de dinero para poder  pagar la factura del agua.

El dinero de la asignación familiar y la pensión va todo para la comida de los chicos. “Ya no queda nada para pagar el agua. Es una lucha de todos los meses para conseguir pagar la factura”, confesó. Pero con una amplia sonrisa comentó: “Todo va a estar bien, seguro que todo empieza a mejorar”

La factura del agua es de tan solo 7 reales.

Adaptação e tradução de texto original, do autor deste blog, por Almudena Corral
Aflatoun – Child Social & Financial Education

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Le chiffre 7, un chiffre porte-bonheur : 7 vies, 7 réaux brésiliens

Aflatoun et son organisation partenaire Child Fund Brazil ont récemment visité une région où le programme Aflatoun est en train d’être implanté. C’est une région où malheureusement le travail infantile demeure une réalité. Le programme Aflatoun ainsi que d’autres organisations essaient de lutter contre ce fléau.  Ils ont mené une enquête pour en déterminer l’impact. Au cours de notre visite, notre partenaire, Edson Marinho, a rassemblé quelques idées dans le texte suivant :

Une mère de sept enfants s’est engagée dans une campagne de prévention contre le travail infantile. Elle est veuve, handicapée d’un bras et doit financer toute sa petite famille avec seulement l’allocation familiale qu’elle touche.

Elle nous décrit le quotidien de son fils âgé de neuf ans, qui participe au projet : il va à l’école, se rend aux réunions du programme et, dans son temps libre, il aide sa famille à cultiver le petit jardin à l’arrière de la maison.

Sans l’aide de ses fils, elle ne pourrait pas tenir le foyer. Un petit potager a été créé dans le jardin et la famille se nourrit de ses produits. Une partie de la production de ce potager est également donnée aux voisins en échange d’autres produits ou contre une petite somme d’argent qui sert à payer la facture d’eau.

L’argent des allocations familiales est entièrement utilisé pour nourrir les enfants. « Il ne reste plus rien pour payer la facture d’eau. Chaque mois, nous luttons pour trouver un moyen pour régler la facture », avoue-t-elle. Mais c’est avec un grand sourire qu’elle rajoute : «Les choses vont sûrement finir par s’arranger».

La facture d’eau est de 7 réaux brésiliens.

Adaptação e tradução de texto original, do autor deste blog, por Almudena Corral
Aflatoun – Child Social & Financial Education

Ontem… Hoje…

A sequência de fotos a seguir, fala por si só.

“Eu vejo o futuro repetir o passado. Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para. Não para, não, não para” (Cazuza)

Ou será que parou para nossas crianças…?
‪#‎semtrabalhoinfantil

E, como última imagem, uma campanha que, me parece, não surtiu efeito…

Title: Exhibit panel
Creator(s): Hine, Lewis Wickes, 1874-1940, photographer
Date Created/Published: 1914

Uma coisa, uma coisa. Outra coisa…

É difícil acompanhar os conflitos que estão ocorrendo em São Paulo, e se multiplicando em todo o país, e não sentir revolta, repulsa, angústia… sem sentir que nossos próprios direitos está sendo usuários, mesmo sem estar lá na Avenida Paulista respirando o gás lacrimogêneo…

Apenas em reportagens de manifestações em países com regimes não democráticos que vemos situações tão grotescas quanto as que estamos acompanhando nos últimos dias na capitalmfinanceira de nosso país. E nossos governantes se pronunciam de forma a nos levar (induzir) a crer que tudo isso é normal… que são ações para garantir a liberdade e democracia em nosso país. É piada, pegadinha, ou estou perdendo a razão? Deputado Tiririca, help!

A formação, movimentação e ação tática da polícia em nada se assemelha a uma tática defensiva. Seria… se os policiais estivesse posicionados para defender prédios públicos ou impedir o acesso a vias cruciais. Não se avança atirando em uma ação defensiva – a não ser que já estivessem sob ataque.

Foram atacados sim – por gritos de “sem violência”, estudantes garregando flores, e cidadãos que apenas voltavam para casa, após um dia de trabalho.

Em uma comparação grosseira: não se sobe uma favela atirando para todos os lados, em todos(as). Não se invadem botecos ao ocupar um morro, arrastando os clientes para fora e interrogado-os de joelhos ou sentados no chão. Então, porque estamos vendo essas atitudes em uma manifestação pacífica, por um direito que já temos, em um país democrático?

Sinto vontade de incorporar o Capitão Nascimento, segurar um policial pelo colete, e gritar “Tira essa farda, porque você não é policial. Você é moleque!”. Viu só? Violência incita violência. E neste turbilhão, alguns poucos marginais e madeireiros aproveitam para colocar lenha na fogueira.

Alckmin disse que não é um movimento autêntico, que é uma manifestação política. Até acredito que que estes baderneiros realmente estejam agindo em nome da oposição… era o que eu faria como coordenador de ações de contra informação… em uma situação de guerra! Putz (foi a melhor expressão que achei para não escrever um palavrão).

Mas… não posso deixar de olhar para o outro lado da trincheira.

Caros estudantes, tudo isso por R$ 0,20 ???

Ok…ok. Eu sei que não se trata puramente de vinte centavos. A manifestação está posta por um sistema de transporte público de qualidade, por uma tarifa justa, por segurança no transporte, nos pontos de ônibus e no metrô, pelo respeito à todos(as) enquanto cidadãos, consumidores e contribuintes.

Mas… caros estudantes: vocês estão dando munição para quem deseja denegrir-los. Se a bandeira da manifestação é fraca ou mal comunicada, será sempre argumento para desacreditar o movimento.

Além disto, e mais importante, porque não vemos mobilização e manifestações para assuntos mais sérios e urgentes? Não quero desmerecer a manifestação em curso – está claro (para mim) que vai muito além dos vinte centavos. Questiono apenas porque não nos revoltados pela péssima qualidade do ensino, pela insegurança pública, pelos aparelhos do Estado que não funcionam, por mais oportunidades, menos corrupção, e por nenhum trabalho infantil ( #semtrabalhoinfantil ).

Fica a reflexão para os justos (estudantes), e a indignação para os injustos (repressores fardados que se denominam policiais).

Só quero salvar 3 pessoas

(texto também publicado no Promenino)

Help in a difficult situationHá algumas semanas quando assisti mais uma vez a o filme O Núcleo – Missão ao Centro da Terra (The Core, 2003), em uma cena do filme, acabei me deparando com a resposta para uma conversa que tive uns dias antes com um amigo… sobre como, às vezes, nos sentimos frustrados com o resultado de nosso trabalho – mesmo quando colocamos todo o esforço, tempo, pensamento, e nos privamos da vida pessoal, o impacto (positivo) que causamos é pequeno. Pequeno?

No filme Missão ao Centro da Terra (não me refiro ao filme “Viagem ao Centro da Terra”, de 1959 ou 2008), o núcleo da Terra parou de girar e o campo eletromagnético do planeta começa a se deteriorar rapidamente. Um geofísico (Josh Keyes) e uma equipe de cientistas fazem uma viagem ao núcleo da Terra numa nave especial, com a missão de detonar uma bomba nuclear para reativar o núcleo.

Em uma cena, o geofísico (Josh Keyes) “pira” com a pressão desta missão de salvar o mundo da destruição. Um dos cientistas (Tchéky Karyo) lhe diz então: “Minha missão é salvar 03 pessoas, minha esposa e minhas duas filhas. Não quero carregar a responsabilidade de salvar a Terra – apenas de salvar estas três pessoas”.

Mas, salvando estas três pessoas, ele está salvando o planeta.

A reflexão desta passagem é que, em nosso trabalho no terceiro setor, muitas vezes nos pegamos aborrecidos pelo tamanho esforço que realizamos para ações que aparentemente salvarão apenas 03 pessoas.

Tomemos por exemplo um projeto, a ser desenvolvido no Estado de Minas Gerais, cujo objetivo é realizar atividades com 500 crianças entre 6 e 15 anos, que se encontram vulneráveis ou em situação de trabalho infantil…

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Você acredita em Papai Noel?

Você não acredita em Papai Noel?

Eu acredito.

Eu apadrinho!

O vídeo abaixo fala por sí só… que o desejo e esperança das crianças apoiadas pelo ChildFund são bem mais simples do que nós imaginamos… elas só querem Papai Noel.

Se você não puder ser um Papai Noel, ajude as crianças apoiadas pelo ChildFund Brasil compartilhando e divulgando esse vídeo.

www.childfundbrasil.org.br

www.apadrinhamento.org.br

Invisibilidade Pública

Recebi há alguns dias o texto que publico abaixo. Não consegui identificar se Plínio Delphino, do Diário de São Paulo, realmente entrevistou Fernando Braga da Costa, mas outros sites corroboram a história e a tese do psicólogo social – uma história que nos faz refletir sobre os “bons dias” e “boas tardes” que deixamos de dar ao entrar em um elevador ou passar por pessoas nas ruas que trabalham, exclusivamente, para o bem estar de toda a sociedade.

Após ler o texto, sugiro buscar pelo nome de Fernando Braga na Internet. Há muitos outros textos e depoimentos que aprofundam este problema social do ser invisível, da discriminação velada, de como enxergamos o próximo, e nos inserimos em nossa sociedade.

O homem torna-se tudo ou nada, conforme a educação que recebe.

“Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível”

Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da ‘invisibilidade pública’. Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionadosob esse critério, vira mera sombra social.

Plínio Delphino, Diário de São Paulo.

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são ‘seres invisíveis, sem nome’. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da ‘invisibilidade pública’, ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.

Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida:

‘Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência’, explica o pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. ‘Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão’, diz.

No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse:

‘E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?’ E eu bebi.

Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.

O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?

Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?

Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando – professor meu – até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

E quando você volta para casa, para seu mundo real?

Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma ‘COISA’.

Ser IGNORADO é uma das piores sensações que existem na vida!