Farol meu, farol teu.

figure_rear_view_mirror_400_clr_11283A resistência ou incompreensão dos motoristas brasileiros com a nova lei que obriga o uso do farol baixo em rodovias remete para uma questão muito mais complexa, e egoísta: apenas o que afeta ou ajuda diretamente o motorista é o que lhe importa.

Manter o farol aceso não melhora a visibilidade ou dirigibilidade de quem dirige, mas ao outro. E assim sendo, não é importante. O farol aceso alerta os demais motoristas, pedestres, motociclistas e ciclistas e lhes provê maior segurança.

Se observarmos outros comportamentos do “ser” atrás da direção, veremos que há um padrão estabelecido. Para quê usar a seta, se ela apenas alerta o outro que eu mudarei de faixa ou dobrarei na próxima esquina? Ao ver um carro usar a seta para mudar de faixa ou entrar em uma conversão… ah.. claro, vou acelerar, porque sou mais importante, tenho mais pressa, e os 3,35 segundos que ganharei no meu percurso farão diferença. Posso estacionar em fila dupla, ou atrás de outro veículo em um estacionamento não é problema – porque vou demorar apenas 15 minutos, e o outro que espere um pouquinho…

Falando em estacionar… azul é minha cor! Claro, porque as vagas em azul, reservadas a pessoas com necessidades especiais e idosos, sempre estão mais perto da entrada do meu destino, na entrada da loja ou shopping. Ah, o azul. Sempre gostei, desde pequenino.

O que o motorista umbigocêntrico (a grande maioria, infelizmente) não percebem é que, com este comportamento, apenas uma pessoa cuida dele: ele mesmo. Apenas ele é quem realiza ações que garantam segurança e atenção em seu trajeto.

Porém, se todos dirigissem com um pensamento inicial em preocupar-se com o outro (aquele… no carro ao lado, que só lembramos que existe na hora de xingar), cada motorista teria, no mínimo, 3 pessoas cuidando da sua segurança: o do carro ao lado, o do veículo atrás, e aquele à frente (normalmente o alvo dos xingamentos). No mínimo 3… na prática, todos atrás, o de trajeto contrário, aquele ainda estacionado…

Para nossa infelicidade, insegurança, e indignação, não é apenas atrás da direção que a grande maioria mantém seus faróis apagados…. e age com este equivocado princípio do adotar ações apenas quando me beneficiam.

Nasce a Teoria da Prática

A Educação qualquer que seja ela,
é sempre uma teoria do conhecimento posta em prática.
Paulo Freire

Se, por um lado, a teoria do conhecimento posta em prática é base da educação, por outro lado, no setor de desenvolvimento social, teorias surgem a partir da prática, do conhecimento empírico que brota das necessidades das comunidades menos favorecidas, e permitem educadores e cientistas sistematizá-las e transformá-las em modelos e metodologias, permitindo que ambas, teoria e prática, alcancem e beneficiem outras comunidades.

Com esta lógica como sua base, surgiu em 2014 a Teoria da Prática, uma iniciativa que busca a aplicação prática de teorias do setor de desenvolvimento social e de outros setores em projetos sociais, adaptando-as, contextualizando-as, e busca o saber popular e o conhecimento prático do desenvolvimento comunitário para elaborar teorias e modelos de desenvolvimento.

A Teoria da Prática é uma organização que oferece serviços e  treinamentos em gestão de projetos para organizações do terceiro setor e para negócios sociais. Atuando como um agregador, catalizador e difusor de ferramentas, conhecimento, instrumentos, informações, objetiva potencializar a capacidade de organizações sociais e indivíduos na transformação de realidades, e na geração de impacto social positivo.

Todas as ferramentas, artigos técnicos, templates, e metodologias passarão a ser publicados na Teoria da Prática, apesar deste blog permanecer ativo.

Visite e se inscreva na Teoria da Prática, fruto do sonho e trabalho do autor deste blog.

O saber popular nasce da experiência sofrida,
dos mil jeitos de sobreviver com poucos recursos.
O saber acadêmico nasce do estudo, bebendo de muitas fontes.
Quando esses dois saberes se unirem, seremos invencíveis.
Leonardo Boff

Matuto no WhatsApp

Seu moço, que mal pergunto,
O Senhor pode dizer…
Esse tal de zap zap,
O que é que vem a ser?
Sou do tempo das cartinhas,
Dos bilhetes perfumados,
Mandados pelos Correios,
Trinta dias sem chegar.
Agora me deram um bicho,
Dentro do meu celular,
Que corre dum lado a outro,
Fofocando pra danar
Leva um recado e traz outro
Nem dá tempo de pensar.
 
Esse bicho que ganhei,
Do meu “fio” de presente;
É um bicho redondinho,
Mais parece uma semente;
Pula dum lado pro outro
Mas não vejo ele avoar
Quando leva uma mensagem,
Nem também vejo chegar.
É verdinho como folha,
Se parece uma gotinha
Bicho da “gota serena”
Credo, cruz, eu vou pirar.
Seu moço, acho que o bicho
É mesmo aqui do Nordeste
É ligeiro como a peste
E pra ser verde parece
Que come mandacaru
Ou então se alimenta
De palma e maxixe cru.
O bicho é muito safado
Pois não me deixa dormir
Com o seu cacarejado
Turututu , tirititi
E passa a noite comendo
Até mesmo a bateria
O cocô é numerado
Número de bola vermelha
Até amanhecer o dia.
Tenho de botar na carga
E limpar a porcaria.
Meu “fio” não me ensinou
Como é pra programar
Ou mesmo como soltar
Acabar com o cacarejo.
Seu moço leve daqui
Salve esse sertanejo
Faça dele o que quiser
Pode até matar o bicho
Isso é coisa do capeta
Que nenhum matuto quer.
 
Por Don Gegê

 


Vou-me embora pra Pasárgada

“Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei”

Aqui, os direitos trabalhistas estão sendo devorados… e sou apenas um trabalhador.
Pouco a pouco o sucumbe o seguro desemprego… primeira das garantias que se esvai.
Teremos surpresas com as regras da aposentadoria?
Se tivermos, só para os mortais – para o rei e sua corte, a aposentadoria é integral.
Claro… após apenas 8 anos de suado e duro trabalho (3 dias na semana, 8 meses no ano…).

“Vou-me embora pra Pasárgada
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente”

Aqui… há inconsequência, mas a existência não é aventura.
Agora, agora mesmo, nas carreiras (na pressa, e nas carreiras de cadeiras da Câmara e do Senado)
Aprova-se a terceirização da mão de obra para atividade fim das empresas.
A alta burguesia quer seu assento ao sol. Por que manter os mesmos direitos que a diretoria usufrui para os simples mortais: planos de saúde, participação em lucros, benefícios, diárias, etc. ? Por que? Pra que?

“Vou-me embora pra Pasárgada
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo”

Porque aqui, só pau de arara…
Vão reduzir a maioridade penal… colocar crianças e adolescentes em cadeias…
Em máquinas de tortura e de educação criminal.
Porque o problema aqui não é impunidade, é a idade.
Porque o problema aqui não são os processo de reeducação, só os de punição.

“Vou-me embora pra Pasárgada
Andarei de bicicleta”

Porque aí não preciso pensar na gasolina, no petróleo…
Na Petrobrás

“Vou-me embora pra Pasárgada
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção”

Concepção: capacidade, ato ou efeito de compreender, de perceber alguma coisa.

Ah… isso sim, aqui tem. Impede-se a concepção. Mesmo assim, vou-me embora pra Pasárgada.

Projetos Sociais e Educação Financeira

Por Fábio Barbalho

Projetos sociais trazem vários desafios, o principal deles é compreender a real necessidade da população assistida e deixar nossas vontades de lado, já no início do projeto; depois na fase de implementação é efetivar a transformação social e por fim torná-lo sustentável, mesmo quando a equipe operacional sair de cena.

A união de pessoas por um bem coletivo é louvável e por si só, e já traz uma transformação sócio econômica como a geração de renda, conquista da casa própria, inclusão digital, aprendizados musicais, melhores hábitos alimentares, ou seja, MOTIVAÇÃO para a ação transformadora.

A transversalidade do tema educação financeira comportamental dá subsídios para concretizar o projeto, ou seja, mais que uma casa, precisamos de um lar ou além da criação de renda, saber gerir as finanças para a melhora na qualidade de vida até mesmo um curso de idioma pode abrir uma oportunidade de emprego e então poder investir na faculdade.

Por muitas vezes olhamos o efeito e não a causa. Podemos pegar como exemplo moradores de rua que tem como meio de subsistência pedir dinheiro no farol, limpando para-brisas ou vendendo balas para se alimentar e foi agregado em uma cooperativas de catadores que lhe gerou uma renda média.

O treinamento comportamental o fará entender essa grande mudança no padrão, imagine alguém que está habituado a receber pequenas quantias o dia todo e a cada necessidade reforça o trabalho para superar a necessidade; agora se vê com um valor substancial (para o seu contexto) e tem que administrar por 30 dias, assim como um jovem que consegue um primeiro emprego e terá que destinar parte dos ganhos para outras conquistas que reforcem seu cresimento profissional.

Vale a pena mais um exemplo da moradia. Consegui a minha casa e agora? como mobiliar? qual a TV ideal? Quando vou conseguir um sofá confortável? Aqui mora um perigo ainda mais evidente. Muitos pensam que nosso padrão riqueza está atrelado aos grandes exemplos de mídia, quando na verdade existe uma grande briga de egos que habita ao lado e é por isso que queremos a casa, o celular e carro melhores que o do vizinho.

O acesso ao crédito e programas de geração de renda é fator essencial para nosso país continuar crescendo e as iniciativas do terceiro setor darão condições para mais brasileiros terem qualidade de vida.

Programas de educação financeira, são extremamente acessíveis e tem linguagem simples para ajudar na concretização desses projetos, dosando o consumismo e principalmente o anseio imediatista, fazendo que a prosperidade seja contínua, ou seja, hoje conquisto meu o acesso a renda, logo minha casa, depois incremento ela, logo vem o carro e assim por diante.

Poder realizar sonhos de curto, médio e longo prazo são bons motivos para manter-se firme no propósito de qualquer programa social e dará condições de realizado, tornar-se um multiplicador/ exemplo para outras pessoas, cumprindo com o compromisso de aos poucos mudar o mundo.

Fábio Barbalho
Consultor Ponto C e Educador Financeiro
Fábio é coordenador de Marketing na CECRES – Cooperativa de Crédito, Consultor de finanças pessoais, Palestrante e Coordenador do Programa de Gestão de Finanças Pessoais onde atua com uma equipe multidisciplinar no desenvolvimento continuo com pesquisas, melhores práticas e orientação financeira.

Exaltação a um Digno Centenário de Nascimento

Hoje, ao se completarem os 100 (cem) anos do nascimento de INÁCIO FERREIRA DO CARMO, registramos que seus 47 descendentes – entre filhos, netos e bisnetos- alcançaram o terceiro milênio honrando o seu nome e louvando o seu esforço por propiciar a todos a oportunidade de vida digna.

O seu nascimento ocorreu no dia 06 de novembro de 1914, numa casa de taipa, em terras da zona canavieira do Estado de Pernambuco, onde o seu pai JOSÉ FERREIRA DO CARMO – casado com VICÊNCIA MARIA DA CONCEIÇÃO – trabalhava como cambiteiro de engenho.

O CENÁRIO

Para aquela e tantas outras crianças nascidas na primeira quadra do século XX, a realidade era desoladora: A mortalidade infantil ceifava prematuramente a vida da maioria dos recém-nascidos; não havia antibiótico; a penicilina só seria descoberta em 1929 e chegaria ao Brasil em 1940. Aquela fatídica e cruel realidade determinaria que INÁCIO seria o único sobrevivente entre 15 irmãos.

Não havia estradas rodoviárias, já que também não havia automóveis. Os primeiros e raros veículos importados nos primeiros anos do século só circulavam nas principais cidades e chegariam a algumas capitais do Nordeste entre 1920 e 1929; Em 1928 seria pavimentada a primeira estrada entre o Rio de Janeiro e Petrópolis. As rodovias só vieram a prosperar no Brasil a partir de 1940 e muito mais tardiamente no Nordeste.

Não havia transmissão rádio; a primeira transmissão viria a ocorrer em 1919; Os Telégrafos – único meio de comunicação rápida – apenas ligavam algumas capitais.

As comunicações interioranas e o transporte de cargas eram feitos por tropeiros, almocreves, mascates ou caixeiros viajantes.

Quatro séculos de descaso com a educação haviam mantido a esmagadora maioria da população no analfabetismo, principalmente nas zonas rurais; não havia perspectivas de ascensão cultural e econômica aos nascidos pobres. Os patrões tinham interesse na manutenção daquele estado de ignorância que facilitava o seu domínio num mercado de trabalho sem leis.

O isolamento cultural condenava as crianças, logo cedo, a se tornarem miniaturas de adultos e a aprenderem os seus ofícios, para logo serem continuadoras dos pais que, por sua vez, já eram continuadores dos avós, no jeito de ser e de viver.

A MUDANÇA

Seria necessário contrariar a lógica daquele tempo para alimentar sonhos e encontrar forças para torná-los realidade. INÁCIO DO CARMO (como ficou conhecido) teve e alimentou o sonho de quebrar aquela lógica; encontrou forças ante a negativa, do “senhor de engenho”, em autoriza-lo a frequentar uma escolinha rural. Diante da afirmativa do “senhorio” de que “o lugar daquele menino é no eito”. JOSÉ DO CARMO apoiou o filho, abandonou o trabalho e a moradia, seguiu a rota dos tropeiros em direção do Estado da Paraíba e conseguiu acolhimento às margens do Rio Paraibinha na confluência do Rio Paraíba, Município do Ingá.

Ali, INÁCIO foi alfabetizado numa escolinha noturna, à luz de lamparina, a despeito dos seus estafantes afazeres diários. As luzes que se acenderam em sua mente transformaram-se em farol a iluminar a sua longa caminhada em busca de melhor futuro para si e para a família que haveria de estabelecer.

A VIDA

Dedicado exclusivamente ao trabalho, juntou algumas economias e dedicou-se ao incipiente comércio local à margem da trilha dos viajantes. Adquiriu pequena propriedade e investiu na agricultura e pecuária. Em suas viagens, em busca de produtos, adquiria livros úteis ao seu aprendizado; em pouco tempo tornou-se o principal intermediário entre a capital do Estado e as populações diluídas nos minifúndios ou homiziadas nas fazendas da elite rural.

Pelas suas mãos circulavam os gêneros alimentícios, os instrumentos de trabalho dos artífices, os variados tecidos e ainda as vacinas, a penicilina e outros produtos homeopáticos e farmacêuticos, minimizando as principais carências locais.

Aos 22 anos casou-se com MARIANA FRANCISCA DA SILVA, mulher de fibra com quem deixou uma descendência, a quem dedicariam todo o fruto do seu trabalho; os seus objetivos e esperança eram de que a nova geração rompesse aquele círculo vicioso de ignorância e pobreza que estavam a superar.

Tornou-se conhecido em todos os lugarejos, vilas e distritos; foi solidário nas dificuldades, concedendo crédito sem vantagens a todos os trabalhadores que enfrentavam dificuldades pelo flagelo das secas; não tinha inimigos nem desafetos.

Contribuiu significativamente para a manutenção da Escola e construção da Capela rural que exerceriam grande influência na formação moral e cívica da nova geração.

Vivendo na simplicidade, não ambicionou acumular riquezas; teve perdas, mas não se dobrou diante das dificuldades; foi humilde, sem subserviência.

Na década de 50 deixou a área rural e mudou-se para a capital com o objetivo de apoiar a continuidade dos estudos dos filhos. Deu exemplos de paciência, perseverança, persistência e honestidade.

Despediu-se da vida terrena em 08 de maio de 2007; 22 dias depois a sua fiel e dedicada esposa o acompanhou na grande jornada. Não deixaram fortuna material; deixaram o tesouro dos seus exemplos de dedicação à família, bem educada, que lhe será sempre grata pela inalienável herança.

João Pessoa-PB, 06 de Novembro de 2014

José Geraldo da Silva
Seu filho, meu pai.

Leia o Livro Cicatrizes da Terra, escrito por
Inácio Ferreira do Carmo em 2002.

A antiga e permanente Síndrome da Eguinha Pocotó

Há alguns anos, assisti a uma palestra da cientista política Susan Lewis, cujo título foi “A Síndrome da Eguinha Pocotó”. Susan, que foi minha professora na universidade, falou sobre o movimento funk/rap que tomava conta das rádios, emissoras de televisão, e até do carnaval de Olinda – algumas pessoas devem lembrar o “quer dançar, quer dançar, o tigrão vai te ensinar” que tomou conta dos quatro cantos do país.

Trazendo esta discussão para os dias atuais, podemos ver (ouvir) manifestações culturais do funk ostentação, do tecnomelody erótico, do axé sexual, das músicas que não possuem mais que 3 conjuntos de palavras com uma melodia e ritmos quase idênticos.

Não me atrevo a fazer qualquer crítica ao movimento funk ou às músicas que embalam certos carnavais. Não tenho propriedade nem conhecimento para fazer uma análise ou emitir um parecer. Aliás, eu incorreria no erro de criticar músicas atuais comparando-as com aquelas dos saudosos anos 80/90 – e simplesmente estaria sendo preconceituoso, ou vivenciando o que é denominado “choque de gerações”.

O que incomoda e considero alarmante é o fato que algumas crianças e adolescentes crescem tendo apenas estas músicas como referência. Foi neste aspecto que Susan focou em sua palestra.

Quando um adulto escuta, dança e se diverte com músicas cujo conteúdo é absolutamente sexual, ou promove valores como o de ser rico, ter o melhor carro e a roupa de marca, podemos entender como apenas uma diversão. Há exceções, claro, de adultos que realmente acreditam nestes valores. Mas eles tiveram a possibilidade de comparar estas músicas e valores com outras cujo conteúdo é, digamos, diferente. É uma opção do adulto absorver ou acreditar em valores que eu não absorveria.

Uma vez mais: longe de mim querer fazer qualquer julgamento. Cada um, cada um. Mas, o adulto teve a opção, pôde comparar e decidir. A criança (e o adolescente), por sua vez e em alguns casos, cresce imersa em um conjunto de músicas que refletem valores que eu considero equivocados – não tem opção, não tem um referencial, não tem escolha.

Da mesma forma que podemos imaginar os efeitos psicológicos em uma criança que cresce e se desenvolve em um ambiente onde a violência é comum e “normal”, podemos prever como será o adulto cujo desenvolvimento se deu em meio a:

  • “Eu dou pra quem quiser; Que a P** da B** é minha” – Valesca Popozuda
  • “Virou, mexeu, tirou ondinha; Vai na tarraxinha” – Claudia Leitte
  • “Começa na cerveja, bebi a noite inteira; Mistura tudo sobe em cima da mesa; Pode ser ice. vodka slovan, vinho ou cachaça Bebe até o chão rala na boca da garrafa” – Gaby Amarantos, da trilha sonora da novela Salve Jorge
  • “As novinhas tão pedindo e tão todas assanhadas; Novinha o que vcs que em?; É a P** turbinada” – MC Guimê

Cuidemos das generalizações – elas são perigosas e injustas. Há sim excelentes exemplos de músicas contemporâneas, que trazem um conteúdo positivo, como “Mixturação”, de Carlinhos Brown (e olha que nem gosto das músicas dele), e “Ostentar Esperança”, do MC Gui (nem das dele…).

E por fim, como já dito, cada um: cada um. Não me sinto no direito de julgar – mas ao menos que criemos condições e oportunidades para que as crianças e adolescentes tenham opções, absorvam valores tradicionais (por assim dizer), e não se limitem ao “small picture”.

Desligue a TV e o rádio. Vá ouvir um disco. De preferência, vinil.

Chame seu filho(a) para ouvir com você.