Nada é por Acaso, Tudo é Karma

The English version follows below

Meu pai recentemente começou a escrever um livro sobre a trajetória de nossas vidas a partir das escolhas que fazemos. Assim como ele, não acredito em destino pré-determinado. Não vejo a vida como um caminho fixo, traçado antes mesmo de nascermos. O que acredito, no entanto, é no karma – a ideia de que cada ação, pensamento, atitude e palavra gera um efeito, seja no futuro próximo ou em uma vida futura.

Não sou budista nem hinduísta e tive pouco contato com os ensinamentos de Siddhartha Gautama (Buda). Não pretendo abordar o conceito de karma de forma acadêmica ou filosófica, mas sim como uma reflexão sobre acontecimentos recentes da minha vida.

Karma não é apenas efeito, mas sobretudo, ação.

Mas então, sou o único responsável pelo meu destino? Se minha ação for positiva (karma), minha vida seguirá o caminho “certo”? Se eu plantar algo negativo, estou condenado?

A resposta é não. Não vivemos isolados. Nossas ações afetam os outros, assim como somos impactados por quem cruza nosso caminho, pela natureza, pelo universo. Há uma infinidade de forças interferindo em nosso destino.

O universo nos dá pequenos empurrões, nos ajusta, nos redireciona. Mas para isso, precisamos fazer nossa parte, colocar esforço e agir corretamente.

O Impacto das Pequenas Conexões

Algumas pessoas chegam para ficar. Algumas passam muito tempo em nossas vidas e nos transformam profundamente. Outras passam rápido, como um relâmpago, mas deixam marcas, mudam nossos rumos, transformam nossa motivação.

Uma recente conversa de bar com alguém que acabei de conhecer, uma pessoa iluminada, daquelas com quem o papo flui como se fossem amigos de décadas, mudou completamente meu estado de espírito. Será que realmente foi um encontro casual? Karma enquanto efeito?

Outro dia, durante as prévias de carnaval em Olinda, vi uma funcionária com o semblante cansado, vendendo bebidas nas ladeiras. Em um gesto espontâneo, a convidei para dançar. Ela sorriu. Por um instante, talvez tenha esquecido do peso do trabalho, das preocupações. Pode ter sido um detalhe insignificante no meu dia, mas será que fez alguma diferença no dela? Karma enquanto ação?

Seja no impacto que causamos nos outros, seja no impacto que eles deixam em nós, nada acontece por acaso.

O “Acaso” que Molda Nossos Caminhos

Pequenos acontecimentos podem mudar nossa rotina e até transformar meses inteiros. Minha passagem de volta para casa, por exemplo, foi alterada. O cancelamento gerou frustração, desgaste, burocracia. Mas, em vez de reagir com raiva, tentei evitar descontar nos atendentes da companhia aérea. Não sabemos pelo que as outras pessoas estão passando (sugestão de leitura do artigo anterior neste mesmo blog).

O que no início parecia apenas um grande transtorno se tornou uma oportunidade inesperada. Se já estava ali, por que não estender a estadia? Agora, olhando para trás, percebo que essa permanência fez todo sentido:

  • Passei mais tempo com meus pais.
  • Estive presente em um momento de perda familiar.
  • Reencontrei primos, tios, amigos que não via há anos.
  • Conexões antigas foram resgatadas, novas memórias foram criadas.

O universo deu seu empurrão. Meu papel foi aceitar e seguir o fluxo.

Nada Acontece por Acaso

Talvez eu não consiga o reembolso da passagem. Talvez eu nunca mais veja algumas das pessoas que cruzaram meu caminho.

Se o karma é positivo e puro, os resultados também serão – hoje, amanhã ou em uma próxima vida.

No fim, não há coincidências, apenas consequências de algo maior do que conseguimos enxergar agora.

Nothing Happens by Chance, Everything is Karma

My father recently started writing a book about the journey of our lives shaped by the choices we make. Like him, I don’t believe in a preordained destiny. I don’t see life as a fixed path, mapped out before we are even born. What I do believe in, however, is karma—the idea that every action, thought, attitude, and word generates an effect, whether in the near future or in a future life.

I am neither Buddhist nor Hindu, and I have had little exposure to the teachings of Siddhartha Gautama (the Buddha). My intention is not to analyze the concept of karma from an academic or philosophical perspective but rather to reflect on how it has played a role in recent events in my life.

Karma is not just effect; above all, it is action.

So, am I the only one responsible for my destiny? If my action is positive (karma), will my life follow the “right” path? If I plant something negative, am I doomed?

The answer is no. We don’t live in isolation. Our actions affect others, just as we are impacted by those who cross our paths, by nature, by the universe. There are countless forces influencing our destiny.

The universe gives us subtle nudges, adjusts us, redirects us. But for that to happen, we must do our part, put in the effort, and act correctly.

The Impact of Small Connections

Some people come into our lives and stay. Some stay for a long time and transform us deeply. Others pass through like a flash of lightning, yet leave their mark, change our course, and shift our motivation.

A recent bar conversation with someone I had just met, a truly enlightened person, felt like a chat between old friends who had known each other for decades. It completely changed my mood. Was it really just a casual encounter? Karma as effect?

Another day, during the Carnaval pre-festivities in Olinda, I noticed a vendor with a tired expression, selling drinks on the steep streets. On impulse, I invited her to dance. She smiled. For a moment, maybe she forgot the exhaustion of work, the weight of her worries. It might have been insignificant in my day, but did it make a difference in hers? Karma as action?

Whether in the impact we have on others or the impact they leave on us, nothing happens by chance.

The “Chance” That Shapes Our Path

Small events can change our routine and even reshape entire months. My return flight home was changed, leading to frustration, bureaucracy, and delays. But instead of reacting with anger, I tried to avoid taking it out on the airline attendants. We never know what the other person is going through (I recommend reading my previous blog post on this).

What at first seemed like a huge inconvenience turned into an unexpected opportunity. If I was already there, why not extend my stay? Now, looking back, I realize that this extra time made perfect sense:

  • I spent more time with my parents.
  • I was present for a moment of loss in the family.
  • I reconnected with cousins, uncles, aunts, and friends I hadn’t seen in years.
  • Old connections were revived, and new memories were created.

The universe gave me a nudge. My role was simply to accept it and go with the flow.

Nothing Happens by Chance

Maybe I won’t get a refund for my canceled flight. Maybe I’ll never see some of the people who crossed my path again.

If karma is positive and pure, so will be its results—whether today, tomorrow, or in a future life.

In the end, there are no coincidences, only consequences of something greater than what we can see right now.

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