Cicatrizes da Terra – O Povo




Com dez anos de idade
Cheguei naquele lugar
ITATUBA era Distrito
O município era INGÁ
Antes da emancipação
Já começou a mudar

Refiro-me àquela época
De longo tempo passado
Setenta anos atrás
Era um lugar atrasado
Pois o povo não sabia
Nem mesmo ler um recado

Mas, apesar dessa chaga
Tudo era diferente
Era um povo muito alegre
Vivia ali muita gente
Um povo unido e tranqüilo
Mais que no tempo presente

Lá pela década de 30
Foi comprada uma Fazenda
De nome Santa Maria
Ocupada sem contenda
Por um “Senhor de Engenho”
Cuja vida era uma prenda

Falo do Major Adélio
Sendo Major por patente
Era um homem servidor
Orientou muita gente
Era muito respeitado
Por ser bom e competente

Ele, a mulher Dona Néia
Mais os filhos que trazia
Era um filho e duas filhas
Urbano, Henriqueta e Baía
Que trataram de ensinar
A ler a quem não sabia

Construiu sua fazenda
Empregou trabalhador
Administrava seus bens
Demonstrando seu valor
Com essa nova presença
A vida ali melhorou

Promovendo a construção
Construiu uma Caieira
Onde a pedra vira cal
Dando emprego à cabroeira
Mas por um lado perverso
Queimava muita madeira

Nesse tempo começou
A despertar os habitantes
Os que eram acanhados
Tornaram-se participantes
Ajudavam uns aos outros
Todos muito confiantes

Era um tempo bem feliz
De festa e animação
O compadre MANOEL CHICO
Soltava bomba e balão
Suas “salvas” animavam
Os festejos de São João

Também na beira do rio
Era bem localizada
A família dos CAMILO
Gente muito organizada
Mas que não sabia ler
Porque não foi ensinada

O seu MANOEL JANUÁRIO
Casado com JOANINHA
Era um bom carpinteiro
Fazia banco e mesinha
Serrando madeira à mão
Trabalho, cada um tinha

JOANINHA puxava serra
E seu MANOEL lhe ensinava
Muitos troncos de caibeira
Que o rio transportava
Os dois tratando na serra
O que MANOEL CHICO lavrava

Havia a família MARTINS
Também CORREIA e FERREIRA
Muitas outras mais além
Que memória traiçoeira!
Não lembro de todo mundo
Que morava na ribeira

Havia a fábrica de queijo
Do seu FELIX PIANCÓ
Muito bem localizada
Nas terras do seu Major
Comprava leite ao povo
Do Cajá ao Recoló

PIANCÓ era animado
Bem contente e falador
Falava, ria e gritava
No auge do seu fervor
Dinheiro ali não faltava
Fosse de qualquer favor

Vinha o povo da Jurema
Onde morava seu TOTA
Muita gente do Recoló
Poço Verde e da Taboca
Do outro lado do rio
BIBIU DORADO e JANOCA

E a família CABRAL
Os BARBOSA e os MONTEIRO
Tinha seu JOSÉ VALENTE
Que era um bom cordoeiro
E a família FRANCISCO
Povo bom e verdadeiro

A descendência dos JORGE
E a família MACHADO
Trabalhadores honestos
De um viver muito honrado
E seu MANOEL HERCULANO
Era outro refinado

Vinha gente do Cajá
Urucu e Caibreira
E também do Trapiá
Vinha de qualquer maneira
Melancia era uma festa
Que parecia uma feira

Não poderia esquecer
Seu SEVERINO CABRAL
Que nas novenas de maio
Gostava de esbanjar
Trazia cargas de fogos
Para todos desbancar

Compadre MANOEL CORDEIRO
Era seu competido
Trazia montes de fogos
Para mostrar o seu valor
Querendo ser o maior
Mas tudo isso passou

 

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