Cicatrizes da Terra – Vida e Diversão




O major e a família
Deram uma sugestão:
Construir uma capela
Um lugar de oração
Homenagem a Sto Antônio
O Santo da tradição

Aderiram os vizinhos
Ao projeto verdadeiro
E num grande mutirão
Mesmo com pouco dinheiro
A construção começou
INÁCIO foi tesoureiro

Tornava conta da obra
Recebendo doação
Fazia os pagamentos
E tocava a construção
Ajuda vinha de todos
Vizinhos em união

Mesmo antes da capela
Já havia animação
Rezar novena nas casas
Noites de maio e São João
E também dos outros Santos
Conforme a ocasião

Depois da capela feita
A escola foi p’ra lá
Até aquele momento
Não havia melhor lugar
O catecismo e as letras
Se juntavam p’ra mudar

A professora da época
Era ROZILDA ARAGÃO
Que veio da Serra Velha
Com sua nomeação
Hospedada em nossa casa
Exercia a profissão

Convivendo em nossa casa
Era muito dedicada
Ensinava com prazer
Àquela toda meninada
Foi a mola do progresso
P’ra gente hoje escolada

Ensinou p’ra muita gente
Que bem depois se formou
Gente que foi p’ra cidade
Comerciante e Doutor
Professora e até Freira
Militar ou Construtor

Tinha missa todo mês
Vindo o Padre do Ingá
Motor, burro ou cavalo
Era o transporte por lá
Vinha rezava e dormia
No outro dia, voltar

Colado na nossa casa
Tinha um quarto isolado
Quarto do Padre, diziam
Pernoite sem ser cobrado
Também hospedava às vezes
Fiscal do Selo e Soldado

Lá em INÁCIO LULU
Chegava o trio dos “chatos”
Um Natal bem festejado
Tocando música do mato
E os matutos dançavam
Até furar o sapato

Eles tocavam “zabumba”
Pratos, flauta e batucada
Bem no meio do terreiro
Uma bandeira hasteada
E levantavam poeira
Na dança da umbigada

Botequim lá no terreiro
O gelo não existia
A cerveja Teotônia
Era a marca que havia
Mesmo quente eles tomavam
Até amanhecer o dia

Ali também se brincava
Bumba-meu-boi, pastoril
Lapinha, coco-de-roda
Sob um lindo céu anil
Nas noites de lua cheia
Alegria a mais de mil

Tudo fruto da riqueza
Da colheita do algodão
Mulheres compravam pano
Menino comprava pão
Tudo ali era festança
Não faltava animação

Ao lado do “Paraibinha”
Na maior mercearia
Onde o povo se juntava
INÁCIO tudo vendia
E no caderno anotava
Controlando a freguesia

Era ponto de pousada
De tropeiro que passava
“Matutos” indo e voltando
Todo mundo ali parava
Na “venda” do Seu INÁCIO
Comprador nunca faltava

O povo comprava pano
Do jeito que escolhia
Seda, chita, brim ou “caque”
De “cor lisa” ou fantasia
Bacia, prato ou penico
De tudo ali se vendia

A nossa casa era cheia
Não faltava visitante
Gente que vinha de fora
Do Fagundes ou do Galante
Pedro Velho e Bulandeira
E do Cajá, mais constante

Nossa casa hospedava
A professora e o Fiscal
Inspetor, Guarda e Soldado
Da guarda Nacional
E também “Fiscal do Selo”
Do imposto federal

Quem fala isto é INÁCIO
Este que está escrevendo
Testemunha da história
Das lembranças que vai tendo
Dum passado glorioso
Que você lê revivendo

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s