Abrindo uma conta no exterior

Abrir uma conta em outro país é uma tarefa difícil, mas não impossível. Bancos estrangeiros funcionam exatamente como no Brasil – precisam e querem mais clientes. Você só precisa se tornar um cliente atraente para o banco, ou encontrar um banco com um produto (pacote) que se enquadre nos seus planos.

Compartilho a seguir duas experiências em países diferentes: a primeira com um processo mais “doloroso” e quase frustrada, e a segunda mais fácil, com diferentes opções de bancos e outras instituições financeiras.

Estados Unidos

Quando comecei a trabalhar para uma ONG nos Estados Unidos, precisei abrir uma conta naquele país porque parte dos recursos que recebia não eram salário, mas reembolso de viagens e atividades.

A Receita Federal brasileira não diferencia salário e reembolso. Isto fazia com que eu pagasse imposto de renda sobre reembolso de despesas. Para piorar, eu pagava IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) quando comprava uma passagem ou hospedagem no meu cartão, e pagava novamente ao receber o reembolso.

Tive muitas tentativas frustradas em abrir uma conta em vários bancos dos Estados Unidos, nas oportunidades em que estive lá. Todos exigiam um endereço no país e possuir Social Security (similar ao nosso CPF).

Até mesmo no banco em que a ONG possuía conta, o Bank of America, ao lado do tesoureiro da que endossou utilizar o endereço da ONG, o banco não aceitou abrir a conta.

Tentei abrir no Banco do Brasil, que possui uma agência na Flórida e outra em New York, minha tentativa foi frustrada pois mesmo eu sendo correntista do banco no Brasil, é preciso manter um saldo mínimo de USD 10 mil para evitar uma tarifa mensal de USD 50.

Finalmente encontrei o caminho: abrir uma conta em um banco com presença internacional. No meu caso foi o Citibank. Após abrir uma conta no Brasil (com certa dificuldade, pois é um banco exclusivo para “peixes grandes”), fui informado que eles não poderiam garantir abertura de conta nos Estados Unidos, mas poderiam emitir um documento comprobatório de que eu era cliente no Brasil.

Em minha primeira viagem aos Estados Unidos após me tornar correntista do Citibank no Brasil, visitei uma agência lá e, em pouco menos de 30 minutos, já tinha uma conta nos Estados Unidos. Observação: abriram a conta utilizando meu endereço do Brasil.

Atualmente o Citibank não tem mais presença no Brasil, mas há outros bancos com presença internacional cujo processo possa ser viável, como o HSBC.

Canadá

Minha experiência no Canadá foi muito mais prática, amigável, e rápida. Quando nos mudamos para Montréal, abrir uma conta bancária estava entre as prioridades para os primeiros dias. Em pesquisa na Internet descobri que o RBC – Royal Bank of Canada – possui pacotes específicos para recém chegados e para estudantes.

Agendei uma visita ao banco e, em poucos minutos, eu e minha esposa tínhamos conta bancária, poupança, e cartão de crédito. Para minha surpresa foi possível abrir não apenas uma conta no RBC Canadá, mas também uma nos Estados Unidos, vinculadas no acesso online, apesar de possuírem cartões de movimentação separados. O melhor: não cobram tarifa para transferir dinheiro dos Estados Unidos para o Canadá, e vice-versa.

Com o tempo, acabamos abrindo uma poupança no Tangerine (Scotiabank), outra conta corrente no CIBC, e conseguir linha de financiamento no TD Bank. Provavelmente o sistema bancário canadense é mais “amigável” com estrangeiros em virtude de o país possuir diversos programas de imigração. Estudantes e residentes temporários ou permanente são clientes atraentes para estes bancos pois, no mínimo, irão utilizar serviços de transferência internacional de recursos.

Mas… por quê? Pra quê?

Uma das principais vantagens em abrir uma conta bancária no exterior é permitir fazer uma poupança na moeda para onde se desejar mudar no futuro, sem a preocupação de que a variação cambial vai transformar sua poupança em Reais irrisória, da noite para o dia.

Por exemplo: se o país escolhido é Portugal e uma investigação inicial mostra que o custo mensal básico (aluguel, serviços, alimentação em casa) é de € 1,500, basta poupar € 200 por mês, durante 2 anos, e três meses de moradia estarão garantidos (€ 4,800).

Porém, entre outubro de 2017 e outubro de 2019, a cotação do Euro variou de 3.7355 para 4.5538 – uma perda de 18%.

Trocando em miúdos: uma poupança em Reais iniciada em 2017, com depósitos de R$ 747,10 por mês (€ 200 x 3.7355), somará R$ 17.930,40 em 2019. Mas… com a variação cambial, estes quase R$ 18 mil valem apenas € 3,937.45 – quase € 1,000 a menos que o plano inicial.

Poupando em moeda estrangeira, é preciso ajustar o valor mensal para manter um ritmo de € 200 / mês – o que nem sempre é possível. Porém, o que já foi poupado não perde valor, e temos certeza de quanto temos e quanto ainda falta para alcançar os € 4,800 do plano inicial.

Cultive o hábito de ver o invisível.
John Piper

Mais difícil que abrir uma conta no exterior é desenvolver o hábito de poupar. Se você não poupa intencionalmente (com metas), ou a cada pequeno volume poupado encontra uma razão para resgatar e gastar, não fará diferença poupar em Reais, Dólar ou Euros. Crie o hábito de poupança e encontre motivação no velho ditado “de grão em grão…”.

Poupando € 6.58 por dia durante dois anos, você chegará aos mesmos € 4,800. Em números de hoje (cotação de outubro de 2019), são R$ 30,00 por dia. Muito para seu orçamento? Então comece com € 2.19 por dia (apenas R$ 10) e irá garantir o primeiro mês de despesas quando mudar para Portugal (de acordo com o exemplo que usamos neste artigo).

 

 

 

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