Elysium – 2154… ou 2013?

Elysium (2013 – dirigido por Neill Blomkamp, com Wagner Moura, Matt Damon e Jodie Foster) é um filme de ficção científica que se passa no ano de 2154, onde a população pobre vive oprimida, em cidades caóticas e com infraestrutura totalmente destruída, sem empregos (dignos), exploradas por grandes corporações, controladas por uma polícia opressora (robôs), sem acesso a um serviço de saúde capaz de atender a todos(as) e, aqueles que conseguem ser atendidos, encontram um serviço de péssima qualidade. O planeta Terra está literalmente caindo aos pedaços, cinza, sem sinal de vegetação ou animais…

Enquanto isso, a população mais rica vive na estação orbital Elysium, construída para ser um mundo perfeito, sem violência ou doenças. Todas as casas são equipadas com uma “cama mágica” capaz de curar qualquer doença, de reconstruir qualquer falha do corpo humano, desde ossos quebrados à uma re-atomização de células para curar a leucemia.

Curiosamente, há um site de divulgação do filme ( Welcome to Elysium ), que parece estar fazendo propaganda deste condomínio ou resort, acessível para poucos… e já há previsão para a construção de Elysium II e III.

Mas… peraí!

Com exceção à cama mágica que tudo cura, este cenário não me parece tão distante do que já vivemos hoje, 2013, em maior ou menor escala, dependendo do país ou cidade. A segregação social que vivemos na atualidade pode não ter os componentes da ficção científica apresentada em Elysium, mas já denota um silencioso e crescente Apartheid.

Ricos moram em condomínios fechados – para se proteger dos marginais (aqui consideremos a definição pura da palavra – relegar ou confinar a uma condição social inferior, à beira ou à margem da sociedade). Às custas da exploração daqueles marginais, os ricos vivem dos lucros de seu investimentos capitalistas, protegidos por segurança particular (porque o Estado não a provê à todos(as), recebendo cuidados de planos de saúde privados, e com recursos para “curar” suas doenças (biológicas, porque as para a doença sócio-psicológica… não tem jeito).

Segundo a ONU, 925 milhões de pessoas no mundo não comem o suficiente para serem consideradas saudáveis. Destes, 578 milhões estão na Ásia ou na região do Pacífico, e 232 milhões estão na África (os excluídos de Elysium). O curioso é que o economista Thomas Malthus estava errado em suas projeções, onde afirmava que o crescimento populacional superaria nossa capacidade de produzir alimentos. Novas técnicas agrícolas superaram o aumento populacional. Ou seja – hoje temos sim alimentos para todos(as)… temos, Thomas?

Com relação à saúde (cuja relação com a alimentação é óbvia), hoje existem tratamentos, remédios, cirurgias, próteses, transplantes que, se não curam, ao menos atenuam as doenças, reduzem o sofrimento, e proporcionam uma vida digna a doentes. Mas quem de fato tem acesso à esta saúde elysiana?

Você pode estar se perguntando: mas o SUS não melhorou? E as UPAs que estão sendo construídas? Façamos uma análise fora de nossas caixinhas de classe média, de brasileiros iludidos pelas propagandas governamentais (isto… porque também temos planos de saúde).

Mesmo em regiões onde não há conflitos, as pessoas acabam excluídas de um sistema de saúde por razões sociais – os cidadãos não elysianos, moradores de rua, migrantes, refugiados, populações que vivem em áreas de vulnerabilidade social, grupos étnicos e outras minorias que acabam expostas à violência e a doenças contagiosas (veja mais em Médicos Sem Fronteiras). Mas, mesmo em grandes metrópoles, o estigma que é posto para esta população marginalizada faz com que tenham receio ou vergonha em procurar ajuda ou o próprio sistema de saúde.

Voltando ao filme, a mensagem na cena final de Elysium é de que existem equipamentos e medicamentos suficientes para curar toda a humanidade, que só é preciso que todos(as) sejam considerados cidadãos elysianos para que esta ajuda (ou direito) chegue à todos(as).

Só precisamos nos considerar, cada um de nós e todos(as) juntos, iguais, humanos… cidadãos do planeta Terra.

Ainda tenho esperança…

P.S.

1) Não fico feliz que Wagner Moura  tenha se tornado hollywoodiano, mas, ao menos, aconteceu através de um filme com uma mensagem tão relevante e contemporânea.

2) Lendo algumas críticas do filme, nenhuma faz referência à reflexão deste post. Cheguei a me deparar com uma crítica que diz “até mesmo pelo caminho que a narrativa toma, fica inevitável que Elysium não se transforme em um típico filme de ação, com todas as suas convencionalidades. É uma pena, principalmente pelo evidente potencial…“. Ao menos a crítica fala que “não quer dizer que necessariamente seja um filme ruim“. Putz!

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Olha pro céu meu amor… veja o meteoro caindo…

MeteoritoNa verdade… asteroide caindo.

Há poucos minutos, “passeando” pelo FaceBook, me assutei com a notícia do meteorito que caiu na Rússia. Inicialmente pensei ser algum tipo de montagem ou brincadeira. Pesquisei nos sites G1 e R7… e a notícia é real.

Veja o vídeo do meteoro no site do G1:
http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2013/02/meteorito-deixa-quase-mil-feridos-e-causa-panico-na-russia.html

Mas o susto mesmo, veio com a matéria vinculada. Um asteroide chamado 2012DA14 acabou (há 10 minutos – 17h25 – horário de Brasília) de passar pela Terra, a uma distância de 27 mil km.

Bem… em termos de universo… esta distância é “logo ali”. E… pasmem, não houve nenhuma divulgação com destaque.

O terceiro susto, veio depois… fui pesquisar alguns links da NASA. Há um observatório em tempo real muito legal (http://eyes.nasa.gov) onde dá para ver o 2012DA14 já se distanciando da Terra.

Abaixo a imagem que “printei” da minha tela com o aplicativo da NASA – a “pedrinha” no centro é o 2012DA14.

Mas o terceiro susto veio em poder ver a quantidade de satélites em órbita ao redor da Terra. O aplicativo em Java permite selecionar qualquer objeto, ver a distância de outro objeto, trajetória, etc.

É muito lixo (ou não) voando sobre nossas cabeças.

Já que o carnaval acabou… vamos entrar em clima de São João:

Olha pro céu, meu amor. Veja como ele está lindo…

2012DA14

Luis, aqui é o Zé. Estamos indo viver aí na cidade… onde todo mundo cuida da ecologia

Prezado Luis, quanto tempo.

Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão por isso o sapato sujava.

Se não lembrou ainda eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo… hehehe, era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de meia-noite. De madrugada o pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra né Luis?

Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem vocês. Não que seja ruim o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro… Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos ai da cidade. Tô vendo todo mundo falar que nós os da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.

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Cicatrizes da Terra

“…Então os proprietários
Ofereciam de graça
Terra p’ra botar roçado
E o povo veio em massa
Queimando toda a madeira
E só se via fumaça

Verdadeiros mutirões
Para as matas explorar
Mediam grande extensão
Sem controle a derrubar
E depois o mato seco
Pondo fogo p’ra queimar…”

Em tempos atuais onde valores comunitários e familiares se esvaem em meio a um modernismo tecnológico sufocante, consumismo irracional, e degradação da natureza, o resgate da história de municípios que outrora representavam esses valores é uma fonte de inspiração para todos que se engajam por um mundo melhor.

O livro “Cicatrizes da Terra” retrata um cenário quase utópico, no interior da Paraíba, um ideal que nós hoje buscamos através do movimento da Economia Solidária.

O livro descreve ainda como este cenário pouco a pouco foi destruído pelo avanço do progresso. Progresso?

Eu tenho a honra (e prazer) de divulgar este livro, escrito por meu avô, aos 88 anos de idade. Uma lição que deixou para nossa família, cuja mensagem retratada pelos seus filhos (meus tios e tias) no Prefácio da obra melhor expressam nosso sentimento ao reler suas palavras.

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