Economia Solidária e Consumo

Em recente debate (virtual) no curso de especialização em Gestão Pública e Sociedade, Maria de Lourdes Oliveira trouxe à tona a frase de Paulo Freire “A educação não transforma a sociedade. Ela transforma os indivíduos que são os sujeitos que transformam a sociedade”.

Lourdes aponta que “o ideário da Economia Solidária só começará a ganhar força a partir da transformação dos indivíduos, que os leve a mudanças de comportamento individual e coletivo, no sentido de se propor a mudanças na perspectiva de vida, de estabelecer novas relações sociais, onde o consumo ocorra mais para satisfazer necessidades básicas”.

Longe de querer estender este texto nos conceitos teóricos e práticas da Economia Solidária x Consumo, concordo com Lourdes em acreditar que a educação e transformação dos indivíduos são fundamentais. É preciso trabalhar a forma como os indivíduos se relacionam entre si e com o mercado (sem querer parecer capitalista), para que tenhamos uma transformação profunda.

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Cicatrizes da Terra

“…Então os proprietários
Ofereciam de graça
Terra p’ra botar roçado
E o povo veio em massa
Queimando toda a madeira
E só se via fumaça

Verdadeiros mutirões
Para as matas explorar
Mediam grande extensão
Sem controle a derrubar
E depois o mato seco
Pondo fogo p’ra queimar…”

Em tempos atuais onde valores comunitários e familiares se esvaem em meio a um modernismo tecnológico sufocante, consumismo irracional, e degradação da natureza, o resgate da história de municípios que outrora representavam esses valores é uma fonte de inspiração para todos que se engajam por um mundo melhor.

O livro “Cicatrizes da Terra” retrata um cenário quase utópico, no interior da Paraíba, um ideal que nós hoje buscamos através do movimento da Economia Solidária.

O livro descreve ainda como este cenário pouco a pouco foi destruído pelo avanço do progresso. Progresso?

Eu tenho a honra (e prazer) de divulgar este livro, escrito por meu avô, aos 88 anos de idade. Uma lição que deixou para nossa família, cuja mensagem retratada pelos seus filhos (meus tios e tias) no Prefácio da obra melhor expressam nosso sentimento ao reler suas palavras.

Leia toda a obra “Cicatrizes da Terra” »

O Comércio Justo no Brasil

O processo de mobilização da sociedade civil brasileira para a promoção do comércio justo no país começou em 2001 quando importantes organizações de produtores e entidades de assessoria juntamente com representantes governamentais, passaram a articular-se formando o FACES do Brasil.

A motivação inicial se deu a partir da percepção que o conceito do movimento internacional de comércio justo apresentava possibilidades concretas de resposta a uma das principais demandas dos produtores rurais e urbanos brasileiros, quer dizer, a criação de canais alternativos de comercialização, em escala nacional e também internacional, que garantissem a sustentabilidade financeira e a melhoria na capacidade organizacional dos empreendimentos marginalizados pelo sistema convencional de produção, comercialização e consumo.

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Comércio Justo ou Comércio Menos Injusto?

O termo justiça (do latim iustitia) se refere à igualdade entre todos os cidadãos. É a busca pela preservação e garantia dos direitos, legalmente ou litigiosamente falando. Em outras palavras, é buscar igualdade nos direitos dos cidadãos, seja através da lei, seja através de uma convenção social, do hábito.

Para Aristóteles, justiça representa tanto legalidade quanto igualdade. A partir deste pensamento podemos tentar compreender o Comércio Justo como processos comerciais que ocorrem de acordo com a lei, mas buscando a igualdade entre todas as partes que estão envolvidas.

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O Comércio Justo não “ajuda” pequenos produtores e artesões

Na região sul da Índia, mais especificamente nos Estados de Tamil Nadu, Andhra Pradesh e Keral, os pedintes nas ruas vêem até você e dizem: “Dharmam”. A tradução desta expressão está longe de ser “uma esmola, por favor”.

Recepção em comunidade indiana, Kanchepuram, Tamil Nadu

Dharmam (Dharma em hindu e em sânscrito) significa justiça. Os pedintes, ou as pessoas necessitadas, clamam por justiça. Justiça na divisão das riquezas, no acesso a direitos básicos e fundamentais, nas oportunidades e no espaço para crescer.

Mas não é através desta justiça – a esmola – que será possível alterar as condições sociais e financeiras dos menos favorecidos no Sul da Índia. Não é esta justiça pontual que transformará sua vida. Da mesma forma, não é essa justiça, essa “ajuda”, que o Comércio Justo almeja alcançar, seja na Índia, no Brasil, ou em qualquer outro país.

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Sucesso e superação através do Gol.d

Em uma busca de meus arquivos e registros do tempo em que coordenei o Projeto Redes de Desenvolvimento, encontrei alguns relatos de mulheres que abraçaram a metodologia, ainda em seu começo de desenvolvimento e adaptação do contexto da Índia para o Brasil.

A seguir, estão dois relatos que digitei e digitalizei para que sirvam não apenas como registro, mas também como inspiração para todos(as) envolvidos nesta metodologia… que espero, um dia, se tornar um movimento nacional no Brasil, assim como é na Índia, em Bangladesh, e outos países asiáticos.

Luciana Costa Clementino

Meu nome é Luciana Costa Clementino. Eu comecei a participar do Gol.d para economizar. Eu trabalho com Avon, então pedi R$ 180,00 emprestado para investir em mercadorias. Foi melhor. Aumentou meu lucro e com ele pago as prestações e sobra.

Mensagem: você que está no Gol.d em outros grupos, faça o mesmo. Abra seu próprio negócio. A oportunidade é essa. Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje. O futuro é agora.

Clique aqui para ver o texto original da Luciana

Maria de Fátima

Eu, Maria de Fátima de Oliveira Silva, tenho 50 anos, e resido no Projeto de Assentamento Favela. Desde o início, participei das lutas pela tera, no final da década de 80. Já participei de vários “programas em equipe”, de modo que todos fracassaram. Por isso, confesso que resisti um pouco para poder entrar para o “Gol.d P.A. Favela”, pensando já nas possíveis frustrações que poderia vir a sentir pela frente.

No entanto, ao longo desses meses tenho percebido que o Gol.d está sendo para mim momentos de “difusão de amizades”, momentos de encontros com meus pares (pessoas lutadoras por dias melhores no assentamento), e momento também de refletir sobre gastos desnecessário, lembrando que é bom economizar para suprir futuras necessidades nossas, como também do outro, do próximo, pois o Gol.d funciona assim na “base da união”, quando confiamos ao outro o empréstimo daquele dinheiro, pouco é verdade, mas juntando com o derramamento de tanto suor…

Clique aqui para ver o texto original daMaria de Fátima