O que organizações sem fins lucrativos podem aprender com a Coca-Cola

Hoje um amigo compartilhou comigo um vídeo do TED – Ideas Worth Spreading (Technology, Entertainment, Design), que acompanho periodicamente e que possui palestras muito interessantes apresentadas por pessoas que são reconhecidas como líderes em seus segmentos.

O título deste post é o mesmo do vídeo apresentado abaixo. Não sou especialista em marketing, mas coloco minha opinião comentários após o vídeo, para que possamos discutir e compartilhar aprendizados…

Sim, temos muito a aprender com a Coca-Cola, McDonald’s, e outras corporações cuja estratégia de marketing foi/é um sucesso em alcançar as comunidades mais remotas e carentes do planeta.

Só não acho justo comparar Coca-Cola com ONGs (talvez com Governos, sim…)

Coca-Cola gera melhoria de renda… que é o que uma família busca prioritariamente (na maioria das vezes). Talvez metodologias como Gol.d (Self Help Groups) tenha este apelo inicial, apesar da metodologia ser permeada e objetivar algo muito mais profundo: a transformação das pessoas através da partilha e união.

A Coca-Cola age como uma empresa (é claro) – se uma área de vendas está crescendo, está bem, e outra está em queda, ela direciona recursos (lucros) para resgatar (investir) naquele local em queda. No Brasil (por exemplo), o investimento (de desenvolvimento sustentável, negócios, etc. – e não de socorro) ocorre naqueles Estados que já estão desenvolvidos… não nos que estão em queda.

Algumas coisas estão mudando… Pernambuco recebe estaleiro e refinaria… Ceará amplia porto… mas vejamos a situação de Alagoas, Sergipe e Maranhão…

Outro ponto é: quanto tempo levou para a Coca chegar a ser esse produto universalmente desejado? Financiadores e governos querem resolver as coisas em dois… cinco anos. Se tivéssemos adotado a estratégia da Coca-Cola há 129 anos…
Precisamos pensar como está nosso Marketing para nossos beneficiários. ONGs buscam desenvolver e melhorar a comunicação com os financiadores e padrinhos. Mas… realmente nos comunicamos com os beneficiários? (neste ponto, o vídeo traz um forte aprendizado).

Financiadores de projetos sociais estão acometidos do mesmo erro que o vídeo aponta: há espaço para prever comunicação com mídia, com outros potenciais financiadores que fortaleceriam os projetos – mas, para a comunicação com os beneficiários pensamos apenas em recorrer a rádios comunitárias e panfletos (não que isto não funcione… mas não terá, obviamente, o mesmo impacto de uma campanha em massa).

Caímos (todos, ONGs e financiadores) no erro de acreditar que as pessoas participarão dos projetos só porque acreditamos que é isto que precisam. A Coca-Cola “ensina” que é preciso criar o desejo pelo produto – em nossas (ONGs) palavras, fazê-las enxergar a participação no projeto como mudança de vida que desejam, e não apenas que percebem ao final do projeto.

Precisamos aprender sim com a Coca, com a Globo (Criança Esperança)… Mas, para isso, uma equipe… uma equipe, repito, se dedique só a isso – e não a sistematizar experiências em meio a sistemas que não funcionam perfeitamente, atividades que não deveriam ser prioridades mas são impostas, relatórios, prestações de contas, quatro…cinco funções, atividades, processos sob responsabilidade de cada indivíduo da equipe, etc., etc., etc. (o vídeo deixou claro que a Coca em uma equipe de estratégia e marketing).

Temos a chance de iniciar novos projetos com o pé direito, buscando uma comunicação autêntica não apenas com financiadores, mas com os beneficiários. Mas não temos 129 anos… nossas equipes já estão sobrecarregadas, as pressões de financiadores crescem e prazos reduzem. Gostaria de ter 1% deste tempo, com e equipe multidisciplinar dedicada necessária para iniciar esta transformação (só iniciar – o que já não seria aceitável por alguns financiadores).

P.S. Achei fantástica a ilustração do processo de avaliação ao final de um projeto, como um boliche jogado às escuras. Vou utilizar muito daqui por diante.

Boliche

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Sawabona Shikoba

Sawabona ShikobaHá uma tribo africana que tem um costume muito bonito. Quando alguém faz algo prejudicial e errado, eles levam a pessoa para o centro da aldeia, e toda a tribo vem e o rodeia. Durante dois dias, eles vão dizer ao homem todas as coisas boas… que ele já fez.

A tribo acredita que cada ser humano vem ao mundo como um ser bom, cada um de nós desejando segurança, amor, paz, felicidade.

Mas às vezes, na busca dessas coisas, as pessoas cometem erros. A comunidade enxerga aqueles erros como um grito de socorro. Eles se unem então para erguê-lo, para reconectá-lo com sua verdadeira natureza, para lembrá-lo quem ele realmente é, até que ele se lembre totalmente da verdade da qual ele tinha se desconectado temporariamente:

“Eu sou bom”
Sawabona Shikoba!

SAWABONA, é um cumprimento usado na África do Sul e quer dizer:
Eu te respeito, eu te valorizo, você é importante para mim

Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA, que é:
Então, eu existo para você

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Gol.d – despertando sonhos adormecidos

Dilma Silva - Gol.d Projeto Entre Amigos para CrescerO pleonasmo no título deste post é proposital… os Grupos de Oportunidades Locais e Desenvolvimento (Gol.d) têm nos permitido conhecer e compartilhar belas histórias de pessoas que retomaram seus sonhos, abandonados por dificuldades financeiras ou outras razões.

Sonhos que adormeceram há algum tempo, e despertam agora, com uma nova esperança, conhecimentos, força, motivação, e apoio mútuo das pessoas que compõem o Gol.d destas mulheres (e homens) batalhadores. Durante o I Encontro Municipal de Gol.d, realizado em Mossoró, no dia 12 de dezembro de 2011, tive a honra de conhecer uma destas mulheres batalhadoras, e colher seu depoimento.

Maria Dilma Batista da Silva, 38 anos, divorciada, tem dois filhos: um com 11 anos que vive com ela, e outro com 20 anos que vive em São Paulo. Trabalhando como empregada doméstica, seu sonho adormecido era conseguir uma renda independente através do artesanato. Com um empréstimo de apenas R$ 50,00 que obteve com seu Gol.d conseguiu retomar esse sonho.

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Gol.d – de volta às origens

Encontro Municipal de Gol.d - Mossoró-RN - Novembro de 2011

Atividades em grupo – Encontro Municipal de Gol.d – Mossoró-RN – Novembro de 2011

Há pouco mais de dois anos a equipe do Projeto Redes, acompanhada de diretores da Visão Mundial e de representantes da instituição indiana Hand in Hand, esteve em Mossoró, com a finalidade de dar os primeiros passos na adaptação da metodologia Gol.d para o Brasil. Surgiam ali os primeiros Gol.ds do Brasil…

Naqueles dias, lembro-me de ter comentado que estávamos trabalhando em parceria com nossos amigos indianos para adaptar e disseminar no Brasil uma metodologia que beneficiava um grande número de comunidades carentes na Índia.

Também me recordo de uma frase que disse, na qual realmente acreditava: “Hoje, estamos aqui para ensinar um pouco da metodologia que aprendemos com nossos amigos indianos. Em alguns anos, esperamos voltar aqui para aprender com você como essa metodologia está funcionando no Brasil”.

Esse dia chegou!

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Matemática Capitalista x Matemática Solidária

O professor Maurício Sardá de Faria recentemente compartilhou conosco a “fórmula” a seguir, que retrata a relação entre a capacidade e realidade do tempo de trabalho dedicado pelo indivíduo em um sistema capitalista:

Onde:
TT = tempo trabalhado
FT = força de trabalho
PD = processo de produção

Para entendermos melhor a equação e a analisarmos, tentemos interpretá-la da seguinte forma:

O tempo de trabalho que o indivíduo incorpora em na força de trabalho é menor que o tempo de trabalhado que ele é capaz de despender em um processo de produção”.

A parte à esquerda da equação refere-se ao tempo que o indivíduo incorpora em si, ao salário. Neste lado, os trabalhadores lutam por direitos trabalhistas, salários mais altos (justos), redução da jornada de trabalho.

A parte à direita, significa o potencial máximo que pode ser “sugado” do indivíduo em um processo de produção capitalista. Naturalmente, nosso salário e direitos são menores à capacidade que acabamos dedicando ao processo de produção. Naturalmente?

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Sucesso e superação através do Gol.d

Em uma busca de meus arquivos e registros do tempo em que coordenei o Projeto Redes de Desenvolvimento, encontrei alguns relatos de mulheres que abraçaram a metodologia, ainda em seu começo de desenvolvimento e adaptação do contexto da Índia para o Brasil.

A seguir, estão dois relatos que digitei e digitalizei para que sirvam não apenas como registro, mas também como inspiração para todos(as) envolvidos nesta metodologia… que espero, um dia, se tornar um movimento nacional no Brasil, assim como é na Índia, em Bangladesh, e outos países asiáticos.

Luciana Costa Clementino

Meu nome é Luciana Costa Clementino. Eu comecei a participar do Gol.d para economizar. Eu trabalho com Avon, então pedi R$ 180,00 emprestado para investir em mercadorias. Foi melhor. Aumentou meu lucro e com ele pago as prestações e sobra.

Mensagem: você que está no Gol.d em outros grupos, faça o mesmo. Abra seu próprio negócio. A oportunidade é essa. Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje. O futuro é agora.

Clique aqui para ver o texto original da Luciana

Maria de Fátima

Eu, Maria de Fátima de Oliveira Silva, tenho 50 anos, e resido no Projeto de Assentamento Favela. Desde o início, participei das lutas pela tera, no final da década de 80. Já participei de vários “programas em equipe”, de modo que todos fracassaram. Por isso, confesso que resisti um pouco para poder entrar para o “Gol.d P.A. Favela”, pensando já nas possíveis frustrações que poderia vir a sentir pela frente.

No entanto, ao longo desses meses tenho percebido que o Gol.d está sendo para mim momentos de “difusão de amizades”, momentos de encontros com meus pares (pessoas lutadoras por dias melhores no assentamento), e momento também de refletir sobre gastos desnecessário, lembrando que é bom economizar para suprir futuras necessidades nossas, como também do outro, do próximo, pois o Gol.d funciona assim na “base da união”, quando confiamos ao outro o empréstimo daquele dinheiro, pouco é verdade, mas juntando com o derramamento de tanto suor…

Clique aqui para ver o texto original daMaria de Fátima