Projetos Sociais e Educação Financeira

Por Fábio Barbalho

Projetos sociais trazem vários desafios, o principal deles é compreender a real necessidade da população assistida e deixar nossas vontades de lado, já no início do projeto; depois na fase de implementação é efetivar a transformação social e por fim torná-lo sustentável, mesmo quando a equipe operacional sair de cena.

A união de pessoas por um bem coletivo é louvável e por si só, e já traz uma transformação sócio econômica como a geração de renda, conquista da casa própria, inclusão digital, aprendizados musicais, melhores hábitos alimentares, ou seja, MOTIVAÇÃO para a ação transformadora.

A transversalidade do tema educação financeira comportamental dá subsídios para concretizar o projeto, ou seja, mais que uma casa, precisamos de um lar ou além da criação de renda, saber gerir as finanças para a melhora na qualidade de vida até mesmo um curso de idioma pode abrir uma oportunidade de emprego e então poder investir na faculdade.

Por muitas vezes olhamos o efeito e não a causa. Podemos pegar como exemplo moradores de rua que tem como meio de subsistência pedir dinheiro no farol, limpando para-brisas ou vendendo balas para se alimentar e foi agregado em uma cooperativas de catadores que lhe gerou uma renda média.

O treinamento comportamental o fará entender essa grande mudança no padrão, imagine alguém que está habituado a receber pequenas quantias o dia todo e a cada necessidade reforça o trabalho para superar a necessidade; agora se vê com um valor substancial (para o seu contexto) e tem que administrar por 30 dias, assim como um jovem que consegue um primeiro emprego e terá que destinar parte dos ganhos para outras conquistas que reforcem seu cresimento profissional.

Vale a pena mais um exemplo da moradia. Consegui a minha casa e agora? como mobiliar? qual a TV ideal? Quando vou conseguir um sofá confortável? Aqui mora um perigo ainda mais evidente. Muitos pensam que nosso padrão riqueza está atrelado aos grandes exemplos de mídia, quando na verdade existe uma grande briga de egos que habita ao lado e é por isso que queremos a casa, o celular e carro melhores que o do vizinho.

O acesso ao crédito e programas de geração de renda é fator essencial para nosso país continuar crescendo e as iniciativas do terceiro setor darão condições para mais brasileiros terem qualidade de vida.

Programas de educação financeira, são extremamente acessíveis e tem linguagem simples para ajudar na concretização desses projetos, dosando o consumismo e principalmente o anseio imediatista, fazendo que a prosperidade seja contínua, ou seja, hoje conquisto meu o acesso a renda, logo minha casa, depois incremento ela, logo vem o carro e assim por diante.

Poder realizar sonhos de curto, médio e longo prazo são bons motivos para manter-se firme no propósito de qualquer programa social e dará condições de realizado, tornar-se um multiplicador/ exemplo para outras pessoas, cumprindo com o compromisso de aos poucos mudar o mundo.

Fábio Barbalho
Consultor Ponto C e Educador Financeiro
Fábio é coordenador de Marketing na CECRES – Cooperativa de Crédito, Consultor de finanças pessoais, Palestrante e Coordenador do Programa de Gestão de Finanças Pessoais onde atua com uma equipe multidisciplinar no desenvolvimento continuo com pesquisas, melhores práticas e orientação financeira.
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Gol.d – despertando sonhos adormecidos

Dilma Silva - Gol.d Projeto Entre Amigos para CrescerO pleonasmo no título deste post é proposital… os Grupos de Oportunidades Locais e Desenvolvimento (Gol.d) têm nos permitido conhecer e compartilhar belas histórias de pessoas que retomaram seus sonhos, abandonados por dificuldades financeiras ou outras razões.

Sonhos que adormeceram há algum tempo, e despertam agora, com uma nova esperança, conhecimentos, força, motivação, e apoio mútuo das pessoas que compõem o Gol.d destas mulheres (e homens) batalhadores. Durante o I Encontro Municipal de Gol.d, realizado em Mossoró, no dia 12 de dezembro de 2011, tive a honra de conhecer uma destas mulheres batalhadoras, e colher seu depoimento.

Maria Dilma Batista da Silva, 38 anos, divorciada, tem dois filhos: um com 11 anos que vive com ela, e outro com 20 anos que vive em São Paulo. Trabalhando como empregada doméstica, seu sonho adormecido era conseguir uma renda independente através do artesanato. Com um empréstimo de apenas R$ 50,00 que obteve com seu Gol.d conseguiu retomar esse sonho.

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Gol.d – de volta às origens

Encontro Municipal de Gol.d - Mossoró-RN - Novembro de 2011

Atividades em grupo – Encontro Municipal de Gol.d – Mossoró-RN – Novembro de 2011

Há pouco mais de dois anos a equipe do Projeto Redes, acompanhada de diretores da Visão Mundial e de representantes da instituição indiana Hand in Hand, esteve em Mossoró, com a finalidade de dar os primeiros passos na adaptação da metodologia Gol.d para o Brasil. Surgiam ali os primeiros Gol.ds do Brasil…

Naqueles dias, lembro-me de ter comentado que estávamos trabalhando em parceria com nossos amigos indianos para adaptar e disseminar no Brasil uma metodologia que beneficiava um grande número de comunidades carentes na Índia.

Também me recordo de uma frase que disse, na qual realmente acreditava: “Hoje, estamos aqui para ensinar um pouco da metodologia que aprendemos com nossos amigos indianos. Em alguns anos, esperamos voltar aqui para aprender com você como essa metodologia está funcionando no Brasil”.

Esse dia chegou!

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Sucesso e superação através do Gol.d

Em uma busca de meus arquivos e registros do tempo em que coordenei o Projeto Redes de Desenvolvimento, encontrei alguns relatos de mulheres que abraçaram a metodologia, ainda em seu começo de desenvolvimento e adaptação do contexto da Índia para o Brasil.

A seguir, estão dois relatos que digitei e digitalizei para que sirvam não apenas como registro, mas também como inspiração para todos(as) envolvidos nesta metodologia… que espero, um dia, se tornar um movimento nacional no Brasil, assim como é na Índia, em Bangladesh, e outos países asiáticos.

Luciana Costa Clementino

Meu nome é Luciana Costa Clementino. Eu comecei a participar do Gol.d para economizar. Eu trabalho com Avon, então pedi R$ 180,00 emprestado para investir em mercadorias. Foi melhor. Aumentou meu lucro e com ele pago as prestações e sobra.

Mensagem: você que está no Gol.d em outros grupos, faça o mesmo. Abra seu próprio negócio. A oportunidade é essa. Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje. O futuro é agora.

Clique aqui para ver o texto original da Luciana

Maria de Fátima

Eu, Maria de Fátima de Oliveira Silva, tenho 50 anos, e resido no Projeto de Assentamento Favela. Desde o início, participei das lutas pela tera, no final da década de 80. Já participei de vários “programas em equipe”, de modo que todos fracassaram. Por isso, confesso que resisti um pouco para poder entrar para o “Gol.d P.A. Favela”, pensando já nas possíveis frustrações que poderia vir a sentir pela frente.

No entanto, ao longo desses meses tenho percebido que o Gol.d está sendo para mim momentos de “difusão de amizades”, momentos de encontros com meus pares (pessoas lutadoras por dias melhores no assentamento), e momento também de refletir sobre gastos desnecessário, lembrando que é bom economizar para suprir futuras necessidades nossas, como também do outro, do próximo, pois o Gol.d funciona assim na “base da união”, quando confiamos ao outro o empréstimo daquele dinheiro, pouco é verdade, mas juntando com o derramamento de tanto suor…

Clique aqui para ver o texto original daMaria de Fátima